9/18/2006
( 4:23 PM ) gfornells
Pequena história
2007


Tenho sede, tenho fome.
Tenho os pés cansados pelo caminho ingrato.
Me falta pousada, me faltam sapatos.....me falta boca e enxada.
Tudo secou, foi, ficou.

Levo comigo um sem fim de causos,
Também uma folha e um lápis, desenho cantigas de ninar.

Insisto,
neste labirinto oblíquo por onde viajo.
Persigo a menina que sempre fui, sem saber bem por quê?
Procuro a mulher que queria ser, também sem entender.
É mesmo uma pequena história, sem final feliz.


uma poesia que escrevi há muito...mas que se faz mais atual que nunca


Noite

Vejo as luzes da cidade.
Pontinhos que se espalham
aleatoriamente
preenchendo o espaço
que percebo.

Alto lá, a Lua intacta
magestosa como sempre,
não diz nada.
Apenas espreita o momento
de mostrar-se luz, Lua.

E assim,
a aparente imobilidade da noite
ganha o céu e sobe.
Ganha o mundo
e o deixa.


[11.7.08 9:43 PM | Gabriela G.F.]
Versinhos

A vida é bela, na arte, na guerra
Bela.

Teus olhos
profundos lagos de cores fortes
profundos imersos no negro da terra
essa terra onde acentas pés alvos
e andas por toda extensão
de meu pobre
rasgado coração.




[11.7.08 8:55 PM | Gabriela G.F.]
Dissertações sobre barzinhos e cantores de barzinhos

Tem aquelas músicas de barzinho irritantes, tipo: "vamos fugir, deste lugar". Os bêbados todos ficam pensando com seus botões: Fugir pra onde? Para o próximo bar? Que coisa braba essa que o Gil escreveu
E assim seguem os cantores da noite, cantando as composições alheias e tantas vezes mal interpretadas, pela madrugada adentro.
Mas o pior é quando começa a seleção "dor de cotovelo". Sempre vem aquela do Caetano "debaixo dos caracois dos seus cabelos" e acaba com a Cássia Eller com "eu preciso dizer que eu te amo, te ganhar ou perder sem engano".
Existem pesquisas que comprovam que tocar essa composição do Cazuza aumenta o consumo de bebidas em 23,98% em comparação com qualquer uma outra do Gil.
Maria Betâmia então!? Faz o pessoal lembrar da infância e querer se afogar em cerveja quente e cigarro fedido. Claro, sem querer menosprezar as músicas dos Carpeters e do Bee Gees, que também tem seu cunho emotivo trash. É que muita gente não entende as letras melancólicas e depressivas deles.

Mas uma das coisas mais tristes nesses bares é a qualidade dos cantores e seus equipamentos sonoros. Uma vez fui a um bar em que o cristão estava com uma caixinha de fósforo fazendo percussão ao rapaz do vocal. E tivemos que pagar couvert artístico ao tocador de caixinha de acendedores de cigarrilhos. Deveria haver uma lei de proteção ao bolso dos frequentadores de barzinhos e afins.
Tem também aqueles cantores de bar que tentam a vida política e as opiniões engajadas. A Ana Carolina que o diga, dos barzinhos para o palco, das poesias para textos de ordem social. É interessante ver a repercussão de palavras tão bem ditas por vozes que um dia estiveram nos bares.

Viu, não reclame!! Aquelas 10.000 milhas que você acumulou esquentando cadeira nos bares, até que não foram tão improdutivas. Pelo menos a Ana Carolina ficou rica e metida e você pobre e alcoolatra.



[27.6.08 9:27 PM | Gabriela G.F.]
Eu só queria uma música

Penso, tanto que não percebo que já passou
que perdi
retive este sentimento
morri
morri mil vezes em mim.

Perdi, sempre perdi.
Sempre foi assim
Uma enorme cor vermelha inundando minhas mãos

Sabe, hoje percebi o quanto te amo.



[25.5.08 9:46 AM | Gabriela G.F.]
Mundo

É perceptível a força do vento,
do girar dos moinhos.
Não há como não ver as mãos secas
a sola calejada de meus pés..é muito o andar.

Por ruas de tantas cidades.
Paisagens coloridas, passagens
Momentos, pontes, caminhos
tanta gente, tanto mundo.

Mundo que acolhe e espele,
que distorce e arruina
nosso mundo
o que herdamos a cada instante.

Esse mesmo mundo da TV, que grita na sala
do som alto do playboy que passa na esquina
do homem que anda na rua maldizendo o nada.
Gente, mundo...tanto.

E parece que o moinho finalmente vai ceder,
ruir, sob a tempestade que o faz girar

Transformamos vento em furacão,
gente em cidadão, país em guerra
eleição em disputa
cidade em fera.

E percebo afinal que aquela flor
que plantei ante ontem,
morreu.
E eu nem vi.


[3.5.08 7:46 PM | Gabriela G.F.]
Ser

A vida e suas incontingências,
nos pega, nos toma
nos leva.

O que fazer com as pernas que tremem?
Com as mãos que suam?
Não é possivel apenas ir em frente?

Ir e ser como o vento que se molda aos obstáculos
e ultrapassa
céu adentro.

Partir como o mar,
que viaja profundo
por entre rochas e naus.

Amar como as flores, que apenas
reluzem pelas cores
seu infinito amor.

Viver, ser, vencer!
Impossibilidade ou improbabilidade?


[7.4.08 7:26 PM | Gabriela G.F.]
Tenho cá nas minhas mãos apenas vestígios desses pássaros que já voaram.
Por que você me pergunta deles, como se fossem meus?
Eles não são verdadeiramente de mais ninguém.




[2.4.08 4:19 PM | Gabriela G.F.]
Hoje
Hoje parece não passar,
não andar
nem a frente nem atrás.

Parece que congelei alguns sentidos,
naquelas palavras que me tocaram,
mas que fingi não ouvir.

Me ative tão pouco, e fugi.
Fugi para não entender
ou tentar me esconder do entendimento.

Permaneço então aqui parada
É tão triste perder-se...




[27.3.08 1:25 PM | Gabriela G.F.]
Apenas pensamentos

Aponto o lápis, todo dia repito esse processo de me preparar. Cabelos esvoaçantes pelo vento, o tempo passando por mim. A menina que anda apressada, sinto seu perfume. O vento lembra o tempo que passa quase imperceptível por nós e vai. O idoso que cumprimenta o amigo, anos se passaram para ele, mais que para mim.
Quanto trânsito, quanta gente nesta cidade! Como mensurar? Como saber se fizemos bem ou mal, se ainda realizaremos algo heróico ou apenas acordaremos cada manhã com preguiça de trabalhar? Como saber se não somos medíocres a ponto de passarmos despercebidos pela rua, pelo dia, pela semana, pela vida?

E você, você que amo...será que este amor é capaz de te fazer acordar para a vida que palpita no seu doce coração? Que milagre aliás, esse do seu coração vivo palpitar e ter que um dia parar, pra te eternizar. Temos mesmo que morrer pra viver! É a mais maluca lição.

Ontem um menino muito sujo que estava perto do mercado me pediu umas moedas. Eu dei tudo que tinha no bolso, sempre faço isso. Ai ele disse "oba" e sorriu. Não resistí a vontade de tocar a cabecinha dele. ele tinha os cabelos bem curtos bem emplastados por algo que não soube definir. E como foi lindo o sorriso do menino e sua empolgação por algumas moedinhas. Como é lindo o dia, o sol, a gente, você.




[13.3.08 7:00 PM | Gabriela G.F.]
PB

Anoiteceu e olho seu retrato.
Você parece tão feliz, tão presente
mas lá fora só solidão.

Por que pensei que aquele instante nunca iria passar?
Por que sonhei o aconchego das tuas palavras,
sonhei esse amor?

Anoiteceu...
e você permanece apenas
no retrato.



Matur Idade
Odeio essa idade, esta que me leva a essa posição
de talvez dizerte o rumo, o prumo, a forma.
Não sou tão madura assim...o que fiz foi viver.

Tenho meus medos, minhas travas.
levo pesares sobre as costas e minhas colchas de retalhos
dos que juntei um a um.

E não desejo falar, sobre as marés e os ventos....
sobre para onde as ondas podem te levar
...pois sou apenas mais uma gaivota voando
sobre o azul do mar.
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[13.3.08 1:08 PM | Gabriela G.F.]
De que vale tudo que fazemos diariamente?
É algo a se pensar, sim...novamente pensar. É o que nos diferencia de tantos que apenas agem, sem deste recurso usar.


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[13.3.08 1:04 PM | Gabriela G.F.]


Polícromia

Tenho me revelado a você,
cada pedaço desta minha policromia humana.
Meus azuis que teimam em voar,
os brancos na busca eterna da paz
Meus vermelhos quase a sangrar.

Sou tantas em uma, fragmentada mas indivisível.
E te presenteio das minhas cores, todo dia
em forma de amor.

Este amor que é único, que me faz "eu"
até que nos transformemos em "nós".

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Comments:




falei...
> < Poesia é algo que me comove, que me move a um mundo um pouco melhor que este em que vivemos. Na poesia não há muros, nem fronteiras, há apenas a alma de quem a ela se entrega. Me deixo levar então em teus braços tão serenos, poesia que me toma e me arremesa...pra tão longe!



como es amar al viento?

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Gabi Fornells, poeta curitibana. Nascida em 1972, já publicou diversos poemas em coletâneas e mantém este blog desde 2003.

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