11/12/2009
( 6:32 PM ) gfornells
Retrato

Criei esse retrato.
Retalhado, borrado,
de pedaços que foram se colando,
ou apenas surgindo pela terra, pelo ar
desde o azul céu, pedaços.

Criei esse retrato de mim!
Onde me percebo tão mais velha.
O tempo não perdoa
a alma ingrata nem a terra estéril.
Nem o coração perdido ao mar braviu.

Faço uma coleção dessas minhas gravuras.
As alinho nas paredes do apartamento,
sob a luz do dia, que parece estar pra
escurecer.
Até lá, me sentarei aqui no alpendre,
a tomar o último gole de sol.


Les Amants au ciel rouge - Marc Chagall #

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10/15/2009
( 5:59 PM ) gfornells
Motivo (Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada #

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10/6/2009
( 3:42 PM ) gfornells
É tão estranho o amor.

Amar, doar, ser plenamente,
se entregar.
Requer algo que não costumo fazer,
algo que talvez nem saiba mais saber.
Precisa dessa precisão urgente, de se querer
ser gente. Se querer ser!

Mas quando pego na sua mão,
e te olho sorrindo por acaso...
é como se todas as facilidades me
facilitassem o entender...
E uma luz iluminasse meu saber ser.

Quero-te então assim, pertinho de mim.
Nem que seja só mais este instantezin
até a poesia definhar...

É tão estranho o amor.


ilustração: Krisalidash #

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9/25/2009
( 5:40 PM ) gfornells
Estou a procura do meu dragão
Forte e explêndido dragão.
Preciso que ele se espanda
e me preencha a alma rasgada e o coração.

Não enxergo sol nem luas.
Apenas escuto e escuto nossas velhas canções.

Sinto minhas mãos tão cansadas
e meu sorriso despistando,
algo que não consigo esconder.

Respiro teu suor, escorrido na cama vazia.
E não sei dizer, se é vício ou apenas mania...
pois enfim percebo, que me perdi de mim.


(Trecho da peça "Encontro marcado") #

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9/21/2009
( 6:18 PM ) gfornells
lindo...alma

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9/10/2009
( 6:39 PM ) gfornells
Coisas sérias

A fome na África.O aquecimento global. O ceticismo geral. A crise econômica. As crianças que morreram na enchente. O presidiário pindurado na grade da cadeia superlotada. As bombas atômicas estocadas na Russia. O absurdo do fanatismo religioso. O Tietê poluído. A fome na esquina. A seca que devastou a soja. A criança abandonada. A faixa de Gaza. A guerra civil no Haiti. O populismo de Chavez. O roubo no senado. Os gastos públicos. O tráfico de drogas. A produção de cocaina em toda américa. A exploração sexual de menores. O contrabando. O abismo social....será que tem lugar para um coração partido? #

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8/31/2009
( 2:57 PM ) gfornells
Desapego

Por que, a cada lágrima percebo,
que nunca serei desapego?

Nem vou ser sossêgo!
Não cortejarei os caminhos fáceis e as saídas escussas.

Minha vida,
grita alto suas sentenças,
a cada segundo, sem pausas.

Tudo afinal, tem um preço.

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( 11:40 AM ) gfornells
Escuro

Preencho os espaços vazios na folha,
com pontos e vírgulas...

Soletro as mesmas coisas todo dia,
sem que possas me entender.
Rascunho no escuro palavras complicadas,
palavras enormes,
minhas palavras.
Elas dizem de mim.

Mas tudo vira silêncio ao chegar em você.

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8/26/2009
( 6:18 PM ) gfornells
A maior tragédia da vida, é não viver!


Criança do Nepal - quanta força vital..linda foto #

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8/24/2009
( 5:27 PM ) gfornells
Dry

Me recolho no meu quarto, escuro.
Tudo preto, até meus pensamentos
Me lobotomizei.
Perfurei meu peito.
Sinto o frio me tomar a alma!

E a lança permanece no chão,
com meu sangue ainda nela
só ela brilha imensa, soberana
nada mais em mim há.

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( 5:16 PM ) gfornells
Over my shoulder, running away,
Feels like i'm falling, losing my day,

Cold and dry,
Cold and dry.
Fog out my daylight, torture my night,
Feels like i'm falling, far out of sight,

Cold,
Drunk,
Tired,
Lost.

(Mika - Over My Shoulder)


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8/19/2009
( 6:23 PM ) gfornells
Trago em minhas mãos, conchinhas recolhidas na praia. Pequeninas, cheias de histórias.
Conchinhas que na natureza, já enfrentaram temporais, o mar bravio, o vento calcinante. Que viajaram milhas, por entre os cantos da terra. Mas que aportaram nesta praia, neste dia, por vontade própria, por querer te encontrar. Não desmereça minhas conchinhas, as guarde no seu armário mais belo, as olhe com orgulho e carinho. As guarde como presentes de mim.
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8/10/2009
( 2:40 PM ) gfornells
Lá fora

O casal no outdoor sorri.
Estão a me vender mais um produto, mais um sonho.
Sonhos em que não me encaixo.

Meu sorriso de hoje é amarelo,
mesmo que eu queira te mostrar um coração sem bandeiras.
Hoje não consigo ser paz.
Sou um furacão sem fronteiras,
cheia de esperanças, dos meus recortes PB, das minhas telas coloridas.
Cheia de tantas coisas, que nem sei dizer.

Vou assim cantarolando, virar mais esta esquina,
andar mais este ponto,
me perder em mais este caminho.

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8/6/2009
( 2:21 PM ) gfornells
Entardecer
(para minha irmã e amiga Allina)

Não pude aproveitar o sol.
O entardecer se postou a porta do dia
e o levou de mim.

Nuvens inundaram o céu
com seu imenso poder
E um restinho de luz em vão lutou,
antes dele se pôr perante nós.

Fico a espera do amanhã.
Onde quem sabe, verei outros sóis.
Outro dia
e outro entardecer.


foto: Vegard Giskehaug #

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7/21/2009
( 1:50 PM ) gfornells
A palavra

Procuro a palavra perfeita,
a que me resgate
e te aproxime.
A palavra que escrita,
nos absolva e comova.

Procuro em tantos lugares.
Em você que me sorri.
Em nossos lagos profundos,
de incertezas e promessas.

Mas não consigo entender,
pelo que tanto procuro?
Como se eu fosse apenas incapaz...
E se a escrevesse não pudesse retê-la
dentre os dedos frios pelo inverno da alma.

Talvez a palavra perfeita não me pertença,
e em absotuto não esteja em mim,
nem em ninguém.
Seja apenas uma palavra livre
que pálida percorre as ruas,
desta solitária e suja cidade.

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falei...
> < Poesia é algo que me comove, que me move a um mundo um pouco melhor que este em que vivemos. Na poesia não há muros, nem fronteiras, há apenas a alma de quem a ela se entrega. Me deixo levar então em teus braços tão serenos, poesia que me toma e me arremesa...pra tão longe!



como es amar al viento?

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Poesia Marrien

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Gabi Fornells, poeta curitibana. Nascida em 1972, já publicou diversos poemas em coletâneas e mantém este blog desde 2003.

I never thought I'd die alone. Please tell mom this is not her fault.

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